

ILUSTRA
Fazemos gestão e curadoria de acervo próprio, além de parcerias com Galerias, Colecionadores, Institutos e Fundações. Nosso foco principal são artistas brasileiros modernos, gravuras e outros em suporte papel.

Brasília 2024/25
Museu Nacional da República
COLECIONADOR DE DAREL
Quando iniciei minha coleção de gravuras de artistas brasileiros, o nome de Darel Valença Lins se destacou particularmente pelas suas cidades fantásticas, além da apurada técnica no desenho, pintura e gravura. Decidi buscar um contato mais próximo com Darel, e a expectativa de conhecer o artista era grande. Infelizmente antes que esse encontro pudesse acontecer, chegou a notícia de seu falecimento. Mesmo sem conhecê-lo pessoalmente, a importância de continuar apreciando, estudando e divulgando a obra de Darel permanece. Sua arte inspira e conecta pessoas.
A construção de uma coleção passa também por identificar referências pessoais na obra do artista, uma tentativa de racionalizar um sentimento genuíno - admiração para justificar esta reunião de obras de arte, criando um referencial.
Fases da obra de Darel, cidades imaginárias – anjos e máquinas – figura feminina, estão conectadas em diferentes escalas. As cidades são representadas em pontos de vista distintos – às vezes em topografia e vistas aéreas, povoadas sem a representação de seus habitantes; outras aproximando o observador de suas praças e edificações, em perspectiva forçada ou planeando seu desenho urbano, seus cidadãos aparecem quase como “escalas humanas”, a sugerir movimento e multidões. As máquinas surgem nas praças, outras sobrevoam a cidade guiadas por anjos. Por fim a figura feminina, numa observação próxima do cotidiano particular de alguns habitantes.
A formação artística de Darel é observada também nestas fases. No desenho e em seu sólido trabalho como ilustrador e editor, encontro Dostoevsky e o Expressionismo de Kubin, além da presença inequívoca do amigo e professor Goeldi; nas cidades, Piranesi - este também arquiteto e arqueologista com suas prisões e vistas das ruínas romanas enquanto partes da cidade viva; nas máquinas, o início como desenhista técnico e Kafka em sua Colônia Penal. O domínio técnico da gravura é superior: o início em preto e branco é sucedido pela introdução da litogravura em cores no Brasil; na gravura em metal, sulcos fortes nas matrizes e entintamento carregado resultam em relevos singulares na impressão. Sem dúvida é um dos grandes mestres da gravura brasileira.
A identificação com a obra de um artista é subjetiva e inconsciente; buscar (e encontrar) justificativas para isto é um exercício interessante. Fazer uma coleção de acordo com interesses pessoais implica em criar, imaginar, pesquisar…
De certa forma, colecionar Darel é ser um pouco Darel também.
Texto de César Pusch Junior
Exposição Darel Centenário - dez/24 a fev/25 - Brasília - Museu Nacional da República
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46 X 32 cm

24 X 18 cm


46 X 32 cm
